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Por que é urgente atuar contra a crise climática?

por Gisele Elis *Com informações do Minimanual para cobertura jornalística das mudanças climáticas e reportagem de El País e Um só Planeta


As mudanças climáticas são um dos maiores desafios da contemporaneidade. Os alertas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPPC, na siga em inglês) apontam que temos pouco tempo para enfrentar os efeitos, graves e já urgentes, decorrentes das alterações do clima no planeta. O último relatório da organização, divulgado em setembro de 2019, centrado nos oceanos e na criosfera (a massa de neve e gelo da Terra), além de ressaltar as perdas atreladas à inação, destaca, pela primeira vez, a importância da educação para melhorar o conhecimento acerca das mudanças climáticas.


Imagem do site NOAA


Em novembro de 2021, representantes dos países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) se reunirão por 12 dias para estabelecer novas metas e estratégias capazes de frear o avanço de um inimigo comum: a emergência climática. Sediada em Glasgow, na Escócia, a 26ª Conferência das Partes sobre a Mudança Climática (COP26) será marcada pelo terceiro (e tão aguardado) encontro entre os 195 países signatários do Acordo de Paris.


Isso porque já se passaram cinco anos desde a assinatura do acordo climático e, como determina o documento, está na hora de fazer um balanço do que foi feito nesses primeiros anos em prol da redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE), além de elaborar novas estratégias para mitigar o aquecimento global. Até o fim de 2020, 75 signatários (que representam 30% das emissões do planeta) submeteram à ONU suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), documentos em que os governos especificam quais metas e medidas serão implementadas a curto, médio e longo prazo para diminuir as emissões.


De acordo com a ONU, para limitar o aumento da temperatura global em 1,5 °C, devemos cortar as emissões globais em 45% até 2030, em relação aos níveis de 2010. O ano de 2021 é um ano decisivo para o cumprimento do Acordo de Paris e a prevenção de um verdadeiro cataclismo, como prevê o Fórum Econômico Mundial.


Para ter ideia, segundo estimativa publicada em dezembro de 2020 na revista Earth System Science Data pela rede de cientistas Future Earth, 34 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2 ) foram emitidas por essas fontes no ano passado. O planeta não consegue absorver uma quantidade tão grande desse gás, que vai se acumulando na atmosfera e pode permanecer nela por até 150 anos. E não para por aí: esse e outros gases, como o metano (que pode ficar na atmosfera por uma década), absorvem radiação infravermelha, criando o famigerado efeito estufa e aumentando a temperatura global.

Em 2016, foi assinado o Acordo de Paris, cujo principal objetivo é assegurar que o aumento da temperatura média global não ultrapasse 2 °C em relação aos níveis pré-industriais — preferencialmente, o limite deve ser de 1,5 °C. Segundo a especialista da TNC Brasil, uma das maiores novidades trazidas por esse documento é a substituição do modelo MDL pelo mercado de carbono. “Ele deixa de ter um caráter mais engessado e passa a trabalhar com o conceito de mercado: da competitividade e da possibilidade de ter créditos de carbono baratos para poder vender, comprar e investir no meio ambiente”, explica. Com isso, a emissão de carbono passa a ser uma commodity, tendo seu preço determinado pela oferta e demanda internacional.


Segundo um estudo publicado em fevereiro na Communications Earth & Environment, periódico de acesso aberto da Nature, se quisermos limitar o aumento da temperatura a 2°C, as metas globais deveriam ser 80% mais ambiciosas do que as propostas pelo Acordo de Paris. Isso significa que a redução média de emissões de carbono precisaria ser de 1,8% ao ano, e não de 1%, como proposto.


Conceitos básicos que envolvem o tema:


Adaptação: Estratégia de resposta à mudança do clima, complementar à mitigação, que busca, em um curto prazo, prevenção quanto aos possíveis riscos, assim como a exploração de eventuais oportunidades. Geralmente está associada ao enfrentamento de eventos extremos e desastres.


Mitigação: Estratégia de resposta à mudança do clima, de longo prazo, que objetiva diminuir a emissão de gases de efeito estufa e fortalecer a remoção por meio de sumidouros de carbono, como as florestas.


Gases do efeito estufa: São os gases da atmosfera (sejam elas naturais ou derivados das atividades humanas) que absorvem e emitem radiação. O valor de água (H2O), dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O), metano (CH4) e ozônio (O3) são os principais gases de efeito estufa da atmosfera do globo terrestre.


Efeito Estufa e Aquecimento Global: Pela presença de gases do efeito estufa, é possível manter a uniformidade da temperatura na Terra, tornando o planeta habitável aos humanos. Neste fenômeno natural, os gases prendem o calor na atmosfera. No entanto, a velocidade do aumento dos gases de efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono e o vapor d´água, causa do aquecimento global, evidenciado pelo aumento da temperatura média global do ar e oceanos, derretimento de neve e gelo, e elevação do nível do mar.


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