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Muc Brasil no Fórum de Mulheres do Sul Global

O Projeto Mulheres Unidas Pelo Clima (MUC BRASIL) foi um dos participantes do painel "Catalisando o poder transformador das energias renováveis para um futuro feminista e de baixo carbono", integrando a programação do Fórum de Mulheres do Sul Global, que aconteceu hoje (15), de forma virtual.


Fomos convidadas pela aliança global "Global Aliance for Gender and Green Action" - GAGGA, como uma das painelistas dessa sessão. O evento está acontecendo, de 12 a 16 de setembro, em parceria com a Global Initiative for Economic, Social and Cultural Rights e AIDA.

Imagem de divulgação do Forum de Mulheres do Sul Global (IWRAW/2021)


Participaram do painel mulheres de organizações de outros países como México, Filipinas, Colômbia e na África. As participantes falaram e responderam algumas perguntas prévias realizadas pela mediadora da sessão sobre a transição justa para baixas emissões de carbono, transição energética e energias renováveis, impactos climáticos e ambientais, a importância dos movimentos de base da sociedade civil nesse processo, direitos das mulheres, igualdade de gênero e justiça climática.

Imagem da participação do MUC Brasil (à direita) - Gisele Elis - no Forum de Mulheres do Sul Global 2021


O MUC BRASIL também foi uma das organizações selecionadas numa chamada de projetos do GAGGA, através do Fundo Casa Socioambiental. Com este apoio iremos desenvolver o Projeto Mulheres da Lagoa de Ibiraquera, que começa com a primeira ação prática no dia 25 de setembro e segue até junho de 2022.


Veja as perguntas respondias pelo MUC BRASIL no Forum de Mulheres Sul Global:


GSWF - Por favor, compartilhe quais estratégias e métodos de defesa foram eficazes para catalisar o poder dos movimentos sociais de base e organizações da sociedade civil que trabalham nos movimentos de justiça climática e energética. Como podemos assegurar que os movimentos sociais intersectoriais sejam eficazes para garantir mudanças transformadoras no terreno?


MUC BRASIL - Movimentos sociais liderados por mulheres e acima de tudo, mulheres indígenas são destaque de protagonismo e liderança feminina no combate às mudanças climáticas no Brasil. De acordo com o grupo de trabalho Gênero e Clima, da ONG Observatório do Clima, através de um infográfico inédito lançado no Brasil, com o título “Por que Gênero e Clima”, mostrou que as mulheres já contribuem para frear o agravamento da crise climática, apesar de serem pouco reconhecidas por isso. Mesmo em situação de crise e escassez, as mulheres lideram e promovem ações concretas que melhoram a qualidade de vida e protegem o clima. As mulheres latino americanas, especialmente, tem um importante papel na conservação da agro biodiversidade, defendem seus territórios, garantem a segurança hídrica, preservam conhecimentos tradicionais, restauram florestas, liderando ações estratégicas de restauração ecológica através de projetos e propriedades rurais, contribuindo para mitigação climática, são protagonistas na agroecologia e economia solidária e lutam por energia limpa. Elas atuam ativamente em iniciativas que lutam para a construção de um novo modelo energético, que leve em consideração as necessidades da população e o respeito à natureza.

A marcha das mulheres indígenas, por exemplo, realizada na última semana aqui no Brasil foi exemplo de um importante movimento mobilizador na luta contra o marco temporal, onde o governo brasileiro está querendo tirar as terras que são de direito dos povos indígenas no Brasil.

Aqui no Brasil, nós do Projeto Mulheres Unidas Pelo Clima (Muc Brasil) estamos propondo a luta por igualdade de direitos, igualdade de gênero e justiça climática, através da comunicação mobilizadora e educação ambiental com mulheres de comunidades tradicionais, como pescadoras, ribeirinhas, quilombolas, indígenas que dependem diretamente dos recursos naturais para tirar seu sustento e que detem conhecimentos tradicionais e ancestrais para mobilizá-las sobre a importância da preservação ambiental e de açoes mitigadoras das mudanças climáticas, além da importância de inclusão desses grupos como agentes transformadoras, através da capacitação, acesso à educação. Esses grupos mais vulneráveis precisam ter acesso a esses conhecimentos e entenderem a necessidade de uma transição energética e climática justa para todos.


GSWF - Na sua opinião, que oportunidades a transição para as energias renováveis oferece às mulheres e como podemos catalisar o poder das energias renováveis para promover a igualdade de gênero?


MUC BRASIL - A transição para as energias renováveis pode oferecer oportunidades da cadeia de empregos verdes, desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias protagonizadas por mulheres. A transição para as energias renováveis é uma importante estratégia de mitigação às mudanças climáticas, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa e proporcionando uma perspectiva de redução de impactos e consequências para as mulheres, como grupos mais vulneráveis aos impactos da mudanças climáticas. A transição energética é algo urgente e necessário para mudar o rumo para uma economia de baixo carbono, mas depende de muito investimento em pesquisa e tecnologia. Nesse sentido, podemos aproveitar essa oportunidade de transição energética para promover a igualdade de gênero, incluindo as mulheres e capacitando elas para serem agentes catalisadoras dessa transformação, investindo em igualdade de acesso à educação e capacitação profissional das mulheres. Faço um breve destaque à fala da Malala, especificamente, quanto à importância do acesso igualitário à educação para mulheres em todo o mundo.


Com igualdade de gênero na educação, teremos agentes capacitadas para assumirem espaços de tomada de decisão para conduzir esse processo de transição energética e preparadas para assumirem novos empregos verdes.


GSWF - Pediremos também a todos as pessoas do painel que façam algumas observações de conclusão.


MUC BRASIL - Nós do Mulheres Unidas Pelo Clima estamos apoiando ações e movimentos, incluindo audiências públicas, contra o leilão que será realizado no Brasil, no dia 7 de outubro, para exploração de petróleo na Bacia de Pelotas, no litoral sul do Brasil, região que impactará a biodiversidade marinha onde está inserida a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, a única espécie de baleia ainda ameaçada de extinção que se reproduz na costa brasileira e muitos outros animais marinhos que habitam essa região costeira, inclusive o impacto que poderá causar na produção pesqueira e no turismo local, impactando inúmeras comunidades tradicionais e pessoas que dependem desses setores econômicos para sobreviver.

Justamente a exploração de combustíveis fósseis que além de impactar o oceano, também trará consequências para o aquecimento global e mudanças climáticas.


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Jornalista responsável: Gisele Elis (MTB 6822)

Diagramação: Cristiane Bossoni _______________________________________________________________________________

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