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Amazônia e Mudanças Climáticas

por Gisele Elis


Neste último domingo, dia 5 de Setembro, em comemoração ao Dia da Amazônia, nós do Projeto Mulheres Unidas Pelo Cima (MUC BRASIL), fizemos algumas perguntas para Mercedes Bustamante, cientista climática, chileno-brasileira, é uma das mulheres integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em inglês).

À esquerda: Profª. Mercedes Maria da Cunha Bustamante À direita: Floresta Amazônica - Foto Paulo Vitale


Questionamos sobre os impactos do desmatamento da Amazônia para o aquecimento global, os perigos enfrentados, soluções e seu papel ecológico e ecossistêmico para o Brasil e também para o mundo.


Confira:


[Muc Brasil] Qual o principal perigo que a Amazônia enfrenta atualmente e a longo prazo?

[Mercedes Bustamante] A Amazônia é impactada pelo desmatamento e conversão para outros usos e também pelos fatores que geram a degradação dos ecossistemas terrestres e aquáticos. A esses fatores, soma-se a mudança do clima que já afeta o funcionamento ecológico das florestas e dos rios e que no futuro poderá afetar a permanência dos ecossistemas.


[Muc Brasil] Qual a influência da Amazônia como emissora de gases do efeito estufa, por conta do desmatamento e das queimadas? E seu papel na absorção de CO2?

[Mercedes Bustamante] As florestas não perturbadas atuam como drenos de carbono mas o desmatamento, queimadas e degradação invertem esse papel e liberam gases de efeito estufa para a atmosfera. Considerando os grandes estoques de carbono que temos na Amazônia, é um grande risco para o clima permitir que a floresta seja desmatada ou degradada.


[Muc Brasil] Quais seriam as soluções para que a Amazônia seja preservada, tenha capacidade de se regenerar a longo prazo e continuar sendo fundamental para a absorção de CO2 da atmosfera?

[Mercedes Bustamante] É importante coibir as atividades ilegais (desmatamento, queimadas, garimpo...), fortalecer a manutenção das áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas), e incentivar a restauração e o uso sustentável dos recursos naturais. A regeneração da floresta se beneficia da redução dos fatores de estresse sob os ecossistemas e também da conservação da biodiversidade.


[Muc Brasil] Como seriam o Brasil e o mundo sem a Amazônia? Qual seu papel na nossa nação e no mundo?

[Mercedes Bustamante] A Amazônia, além de sua relevância no ciclo global do carbono, tem uma grande contribuição no ciclo hidrológico. Sua conservação tem impactos diretos não somente sobre o clima do continente sul-americano mas também sobre o clima global pois ela é considerada um dos elementos importante do sistema climático global. Proteger a Amazônia é central para o Brasil para garantir os fluxos de umidade para o centro-sul do país, evitar o surgimento de novas doenças infecciosas e manter uma biodiversidade que é uma fonte serviços e produtos com grande potencial econômico. Adicionalmente, a Amazônia abriga uma enorme diversidade social e cultural que também é um componente único e insubstituível de nossa nação.


Saiba mais sobre Mercedes Bustamante:

Professora da Universidade de Brasília (UnB), membro da Academia Brasileira de Ciências e atualmente uma das principais referências no bioma Cerrado. Atua principalmente na área de ecologia de ecossistemas em particular em temas relacionados a mudanças no uso da terra, biogeoquímica e mudanças ambientais globais. Foi co-coordenadora do capítulo “Agriculture, Forestry and Other Land Uses” do Grupo de Trabalho III: Mitigação do 5o Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês). Ainda no âmbito internacional, Mercedes foi membro do Comitê Científico responsável pela revisão do relatório sobre emissões de óxido nitroso (N2O) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), representante da América Latina na Iniciativa Internacional do Nitrogênio (2010-2013) e membro do Comitê Científico do Programa Internacional Geosfera – Biosfera (IGBP) de 2007 a 2012 e do Programa Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). Em gestão de política científica e educacional, contribuiu como Coordenadora Geral de Gestão de Ecossistemas e Diretora de Políticas e Programas Temáticos no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2010-2013), Diretora de Programas e Bolsas no País da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e membro do Comitê Assessor da área de Ecologia e Limnologia do CNPq.


Bióloga pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (1984), Mercedes completou seu mestrado na Universidade de Viçosa na área de Ciências Agrárias em 1988 e seu doutorado em Geobotânica na Universitaet Trier (Alemanha) em 1993.

Para mais informações sobre a cientista clique aqui.


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Jornalista responsável: Gisele Elis (MTB 6822)

Diagramação: Cristiane Bossoni _______________________________________________________________________________

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